26 de mar de 2011

Como lidar com o (mala) amigo indeciso

como-se-livrar-daquele-amigo-chatoClaro que a gente está aí para o que der e vier, que amigo é pra essas coisas, que ele sempre pode contar com a gente e tudo isso que é frase feita sobre amizade, mas que amigo indeciso é uma mala sem alça, cheia de pedras, ensaboada e na descida… vai dizer que não é?

Como ele aparece

Domingo de manhã, você já havia programado hibernar até a hora do almoço, ele bate à sua porta duas horas antes do que você programou acordar. Não te dá nem a chance de tomar um café pra desanuviar o cérebro assim que meio adormecido, e já vai contando a “tragédia insolúvel” e te pedindo conselhos. O que ele deve fazer?

Controle-se. Você deve estar pensando mais ou menos o que eu penso numa hora dessas:

opção a) Jogue-se da janela desse apartamento e me deixa dormir mais 2 horas.

opção b) Dá um tiro no ouvido – mas na sua casa, pra não sujar a minha.

opção c) Fica “de mal” de mim pelo menos um mês.

opção d) Vá para a casa do…

Um ombro amigo

Mas a gente é amigo até debaixo dágua, não é? É para o melhor e o pior, até que a morte (ou qualquer coisa menos drástica) nos separe. Então você dá conselho, analisa opções, sugere mudanças. E ele vai todo contente, disposto a liquidar a fatura hoje mesmo.

Mas qual! Pode ter certeza de que ele vai “dar notícias” ainda hoje! Não vai fazer absolutamente nada do que você falou e vai estar com um problema maior ainda – e sem solução.

Cecília Meireles

Se você tem desses amigos “Cecília Meireles” que ficam na base do “ou isto ou aquilo” o tempo todo e nada de se decidirem, estamos no mesmo barco. Conselhos matrimoniais, como lidar com o chefe, com a sogra, que remédio de vermes dar para o cachorro. Em tudo precisam de “uma opinião”. O troço chato da história é que não vão seguir!

O que fazer?

Muna-se de paciência e esteja certo de que você tem uma pontinha de culpa nessa relação de amor e ódio. Quando uma relação está “doente”, um dependendo do outro, pode ter certeza de que os dois contribuiram pra ferrar a coisa toda. Nenhuma relação mela e vira essa coisa chata se os dois não cumprirem seu papel. Ele chora, você dá o ombro amigo. Ele pede opinião, você perde seus parcos neurônios bolando um jeito dele sair dessa situação em que ele se meteu, e quando foi pra arrumar o rolo ele não pediu tua ajuda, pediu? Então….

Seguem 10 formas de lidar com o problema fazendo com que o “sitocômetro” do seu amigo volte a funcionar e você possa desfrutar das maravilhas da hibernação domingueira novamente sem um chato te aporrinhando a ideia logo às 10 e meia da madrugada:

1) Diga que esá com enxaqueca – Essa não falha. Contorça-se, quando ele começar a falar diga para cochicar porque não suporta barulho em crise de enxaqueca; fique na penumbra e não deixe acender a luz, diga que “fere seus olhos”. Quando ele começar a falar, gema bem alto. Se não der certo, diga que tem que ir urgente ao pronto socorro mais próximo tomar uma injeção para dor.

2) Finja que está de ressaca ou ainda bêbado – Diga frases desconexas. Comece a tirar o sarro do corte de cabelo dele. Diga que há um negrinho com uma faca subindo pela janela (particularmente poderosa se você mora em apartamento). Quando ele começar a contar a história comprida dele, corra para o banheiro para vomitar.

3) Critique tudo o que ele disser, mas nada de crítica construtiva – Vá onde dói mais. Diga frases como: “Mas você disse isso? Isso pra mim é coisa de boiola”. “Mas que cafa você é, onde já se viu dizer uma coisa dessas…” Tome partido, mas da outra parte. Seja contra tudo o que ele disser.

4) Não se comova com nada – O que faz o amigo voltar sempre atrás de conselho não é exatamente o conselho (que já está provado que não pretende seguir) mas a sua solidariedade. Se tiver que ser solidário, solidarize-se com a “outra parte”. Mostre-se insensível aos problemas dele. Olhe para o relógio. Cutuque a cutícula. Boceje e finja que está cochilando.

5) Sugira coisas completamente malucas e complicadíssimas – Sugira planos mirabolantes que envolvam outras pessoas, roubos de carros, sequestros, trotes telefônicos, aluguel de trajes a rigor, ou o que a sua mente diabólica sugerir. Se seu amigo for “seguro” com dinheiro, sugira coisas que irão custar muito dinheiro. Reservas em hotel 5 estrelas para uma conversa a dois; aluguel de limusine para seguir alguém “sem despertar suspeitas”. Faça com que seu amigo duvide de sua sanidade e ele irá embora.

6) Divirta-se com a desgraça alheia – Quando ele começar a contar, role de rir. Diga: “Não acredito que você fez isso.” e chore de dar risada. Encare a situação como se fosse uma piada, tire o máximo de sarro que puder. Se ele ficar bravo, tire o sarro na cara dele: “Você fica muito gozado quando está bravo.”

7) Tome para si a responsabilidade – Diga: “Eu resolvo tudo. Eu vou falar com ela. Pode deixar que vou lá quebrar a cara desse seu chefe abusado.” E outras bobagens assim. Mas seja convincente. Já se levante, pegue a chave do carro, encaminhe-se para o banheiro para tomar uma ducha antes de “ir lá dar um esculacho nessa folgada”. Ele vai ficar tão aterrorizado que preferirá resolver essa sem sua ajuda.

8) Finja que virou seguidor de alguma seita – Comece a citar passagens da Bíblia que ensinem a “amar e perdoar” ou a “mentalizar um resultado”, ou a “orar e esperar”. Tenha já uns incensos para acender quando ele começar com a ladainha. Recite uma oração. Peça para ele se ajoelhar para uns passes. Faça uma mesa branca. Qualquer coisa que ele não goste, porque se gostar voltará sempre para outra seção.

9) Diga que tem um compromisso – Assim que ele entrar, diga em tom de desespero total: “Ainda bem que você me acordou, acho que perdi a hora” e enquanto ele vai falando corra que nem um doido vestindo-se e calçando sapatos. Passe um pente no cabelo, pegue a chave do carro e murmure qualquer coisa sobre “ligar na semana que vem”. Volte para casa depois de uns minutos quando ele já terá ido embora.

10) Psicanalise – Diga que esse acontecimento deve ter reavivado memórias da infância. Diga que ele teve um trauma na infância; que deve ter sofrido abuso ou bullying (muito em moda agora). Cite frases de Freud (decore algumas). Diga que essa indecisão é sinal de … (invente termos). Dê um cartão de um analista a ele. Diga que é grave. Diga que tem que se tratar.

Maldade

Não tenha dó, seja vingativo e maldoso. Amigos que aparecem a qualquer hora sem a menor consideração com os nossos problemas ou horários não merecem misericórida de nossa parte. Eles “alugam” nossos ouvidos e nossa mente, nos fazerm pensar nos problemas deles e depois só voltam se tudo der errado. Confundem “AMIGO” com “BABÁ”. Ou então comece a ter só amigos adultos, deixe os inseguros, imaturos, que precisam de atenção o tempo todo e acham que o mundo gira em redor deles e de seus míseros problemas para quem tem saco para isso, ou não tem nada melhor para fazer.

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