28 de abr. de 2008

Os filmes que eu nunca vi

Quer me ver babando de ódio? É fácil. Basta estarmos comentando um filme que eu NUNCA vi - e ainda não estou caducando pra não saber isso - e você bater o pé que eu vi - e com você.

Isso os meus filhos fazem sempre, vivem dizendo que se lembram perfeitamente de terem visto comigo filmes que eu nunca assisti, e disso eu tenho certeza absoluta. E não é que são teimosos como mulas e INSISTEM?

Claro que você viu - dizem eles, tentando me convencer de que focinho de porco é tomada - lembra daquela cena... e descrevem uma cena toda, sem pé nem cabeça, porque não faço a mínima idéia do que estão falando. Faço que não com a cabeça, já impaciente com tanta teimosia mas não se dão por achados.

Lembra até que você comentou... Eu não comentei nada, não vi o filme, não sei do que estão falando, ora essa! Mas aí falam: tinha até aquela atriz que você gosta tanto, a Fulana. Eu nunca gostei da Fulana, particularmente acho-a um nojo. Faço cara de nojo.

Ah, mãe. Você viu esse filme sim... E eu já nem respondo. Até que eles desistem porque percebem que já estão falando sózinhos, eu não estou mais nem aí.

Agora, pensa comigo. Não é o cúmulo tentar me convencer de que eu vi o que eu não vi? A pessoa mais indicada pra saber se vi ou não sou eu mesma, como é que eu vou enfiar na cabeça desses trastes que eu não vi nem quero ver o tal filme, não vi porque não estou interessada, nem no filme nem nas cenas do mesmo, nem na atriz que eles acham engraçadinha e dizem que eu A-DO-RO...

Tem gente que não se enxerga mesmo. E depois eu é que estou ficando esclerosada. Esclerosada uma pipoca, estou é no auge dos meus sentidos, o que detesto é gente tentando me convencer de que eu vi o que não vi, estava onde eu não fui. Ah, teimosia deslavada...

(zailda)

27 de abr. de 2008

Mais um domingo...

Domingo de mulher que trabalha não é mole não... Desde a hora que acordei só lavei roupa, até às 3 da tarde! Roupa acumula, parecem ter vontade própria, a gente vai trabalhar e elas passam o tempo pulando do cabide pro cesto de roupa suja, só pode ser! Nem Cristo, com o milagre da multiplicação dos pães conseguiria algo assim! Parece semente de capim, cada uma que a gente arranca do cesto aparecem mais 10!

E depois de lavar tanta roupa, a pia da cozinha! Tem outra coisa na sua casa onde se junte tanta coisa suja, milagrosamente? A minha parece que está assombrada, os copos e pratos sujos vão brotando uns de dentro dos outros! A gente acaba de lavar e já começam a nascer de novo!

Ai, meus deuses, o domingo está acabando e eu estou aqui: da pia pro tanque, do tanque pra pia! E descansar, que é bom... babau! Ninguém merece!

(zailda)

Compartilhando músicas

Há uma forma bem mais antiga e menos interessante na arte de compartilhar músicas e eu só não entendo porque existe, já que só é boa pra quem compartilha e eu não entendo porque.

É o seguinte: a pessoa escolhe lá o estilo de música que seu mau-gosto fez com que apreciasse e logo em seguida liga o aparelho espalhando seu mau-gosto aos quatro ventos. E nós, que estamos tranquilamente dormindo, assistindo um jogo ou simplesmente ouvindo a NOSSA própria música, de repente somos obrigados a aguentar os decibéis da falta de educação alheia.

Não sei porque as pessoas que curtem lá os seus Calipsos da vida pensam que também queremos ouvir aquela porcaria e ligam seu aparelho de som de casa ou do carro em volume ensurdecedor e somos obrigados a aturar horas de chatice musical.

E aquilo lá é música? E por quê é que quem tem mau-gosto tem também vontade de ouvir música junto com os vizinhos? E por quê eu tenho que aturar o Leonardo chorando suas músicas melosas o domingo todo? Ai de mim, na próxima encarnação quero nascer surda, pelo menos me livro dessa tortura...

Help! Estão fazendo meu ouvido de pinico!

(zailda coirano)

25 de abr. de 2008

Atendimento bancário

Trabalhei no Banespa de Diadema de 1978 a 1985 como caixa e depois me transferi para o interior onde continuei como caixa do Banespa na agência local até abril de 1997. Portanto trabalhei ao todo como caixa no Banespa durante 19 anos.

Já no final da década de 80 os bancos começaram a reduzir o número de funcionários à medida que investiam mais e mais automatizando o atendimento através de caixas eletrônicos, desafogando o crescente número de atendimentos da "boca de caixa" e transferindo parte deles para o "auto-atendimento".

Esperava-se dessa forma que cada vez mais o cliente preferisse atender-se a si próprio no caixa eletrônico, deixando o caixa apenas para o caso em que fosse exigido atendimento por funcionário. Contando que isso acontecesse o banqueiro foi cortando seu pessoal, reduzindo assustadoramente o número de funcionários dentro das agências.

"Bancário", que antes era uma carreira foi rebaixado à categoria de emprego e agora é reduzido a mero "bico" pois o banqueiro livrou-se de seus funcionários padrão contratando estagiários sem qualquer compromisso com a empresa, geralmente treinados para um único tipo de atendimento, o chamado "feijão-com-arroz".

Paralelamente o atendimento que esperava-se ver reduzido ao mínimo na boca de caixa não reagiu da forma pretendida. Sendo a média do povo brasileiro composta por pessoas de baixa renda e baixo nível de instrução tornou-se inviável a transferência de todo o fluxo de clientes para o auto-atendimento. Contrataram então estagiários para atender os clientes com problemas no caixa eletrônico.

Deixando de lado a estupidez da medida, ela além de estúpida nada tem de planejada ou mesmo pensada. Disponibilizam vários caixas eletrônicos para clientes que sabem ou não lidar com eles e apenas um atendente para ajudá-los. O que se vê nos dias de grande movimento são filas e mais filas esperando enquanto o atendente pula de um caixa a outro ajudando clientes com senhas e atendimentos dos mais diversos tipos.

Os clientes que sabem mexer nas geringonças e poderiam se virar sozinhos ficam amargando enquanto assistem impotentes ao verdadeiro festival de repetição de erros.

Não seria melhor disponibilizar apenas um caixa, ao lado do atendente, para quem não sabe se virar, e liberar todos os outros caixas para quem  sabe lidar com eles? Não seria muito mais racional permitir que façamos nossos depósitos, saques, pagamentos e retiradas de talão enquanto "a mocinha" auxilia a quem tem problemas em um único caixa? Seria simples, bastaria colocar "auto-atendimento" em todos exceto em um, e nesse colocassem "atendimento com ajuda" e para lá se dirigiriam os que não estão muito seguros quanto a senhas, botões e tecnologias diversas.

Se o banqueiro não quer enfiar a mão no bolso para aumentar o número de caixas eletrônicos ou contratando mais funcionários, pelo menos poderia agir de uma forma um pouco mais inteligente. E nem é tão complicado...

(zailda mendes)

24 de abr. de 2008

O atendimento bancário em Diadema

Segundo a lei existe um limite de tempo que o cliente pode permanecer dentro da agência bancária antes de ser atendido. Isso seria teoricamente para evitar que acontecesse o que acontecia antes, quando as pessoas práticamente tinham que montar barraca dentro do banco.

Acontece que aqui em Diadema algumas agências bancárias adotam uma prática interessante: os clientes recebem um "pré-atendimento" numa fila que se forma ainda do lado de fora da porta eletrônica, naquele saguão onde normalmente também ficam os caixas eletrônicos, mas para esse "pré-atendimento" ficam horas numa fila que se estende porta afora, nas calçadas, sob o sol ou a chuva. Só depois desse pré-atendimento o cliente é admitido dentro da agência com uma senha para que o atendimento então seja consumado. Dessa forma ele será atendido em poucos minutos dentro do banco, não ultrapassando o limite máximo da lei.

Em outros bancos o cliente é barrado na porta e fica esperando no saguão até que determinado número de clientes seja atendido e só então é admitido no interior da agência.

Essa prática é comum nos "dias de pico", ou seja, aqueles dias em que se concentram muitos pagamentos ou vencimentos.

Em minha opinião isso é uma forma de burlar a lei e desrespeitar o cliente. A lei existe para que não percamos nosso tempo - e tempo é dinheiro - amargando numa fila interminável. Para nós o tempo gasto é o mesmo e pouco importa se foi gasto dentro ou fora do banco, e o fato de ficarmos expostos ao sol e à chuva apenas para que seja cumprida a lei é um desrespeito descarado.

O Brasil é o "país do jeitinho" e segundo De Gaulle, "isso aqui não é um país sério". E não é mesmo, sou obrigada a concordar, porque práticas como essa que abertamente desrespeitam a lei e o ser humano só existem porque não se leva a sério o compromisso assumido ao abrirmos nossa conta bancária.

Em vez de disponibilizar mais caixas eletrônicos e contratar mais pessoal para dar atendimento a uma clientela crescente, o banqueiro cada vez arrecada mais dinheiro e demonstra menos respeito e interesse por sua principal fonte de lucro e sua única razão de existir: o cliente.

(zailda mendes)

13 de abr. de 2008

Porta afora

Me entra lá um infeliz que vai descer do ônibus lá onde o Judas perdeu a meia e pára que nem um poste bem na porta de saída do ônibus, bem na minha frente. Eu fico perfurando a nuca do desgraçado (que tem cara de mané) com o meu olhar cáustico 43, mas nada, a anta nem se toca.

O que leva um ser (que se imagina humano) a parar bem na porta se não vai descer nem aqui nem em 30 minutos? O que será que faz essa besta pensar que vamos passar por cima ou através dele para desembarcar do veículo que pretensamente deveria servir para que chegássemos com mais rapidez e conforto ao nosso destino?

E assim espero os 2 ou 3 minutos que me separam do meu ponto final nesse meio de transporte imaginando que o zé mané vai se tocar e dar licença aos que pretendem como eu apear nesse ponto, mas qual! O cara parece uma múmia, fica ali nos degraus como se fosse o dono do pedaço, indiferente à pequena fila que vai se formando em frente à saída. E fica com aquela cara de paisagem, tipo não estou nem aqui, e assim o veículo segue seu caminho até que para.

O energúmeno colossal não sai da frente nem quando as portas se abrem para nos dar passagem e quando é finalmente empurrado pelos outros passageiros, tão ou mais mal-educados que ele, dá uma chegadinha para o canto.

Ah, mas que ódio! Dá vontade de meter o pé na bunda dele e jogá-lo na calçada, pasmalho retardado! Se tem banco sobrando no ônibus por quê, em nome de Deus, não assenta a bunda num deles e sai de nosso caminho? Será que quer que o vejamos, que o notemos? Está bem, todos já o notamos e também já sabemos que você é um idiota empatador da vida alheia, empacador de passageiros ocupados que pretendem descer desse ônibus aqui, ô cretino! Agora dá licença que queremos passar e ficar o mais longe possível de você?

(zailda mendes)

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