5 de fev de 2009

Máquinas infernais

Você acorda de boca seca e transpirando porque não aprendeu como programar seu ar condicionado com termostato digital.

Na cozinha, faz um chá no microondas sofisticado e cheio de funções, mas que você só sabe usar pra duas coisas: esquentar água e descongelar comida.

No carro, você luta com os controles digitais do seu cd-player enquanto seu carro ziguezagueia na pista, até que o motorista de trás buzina perigosamente perto, fazendo com que você obedientemente esqueça o rádio e concentre-se na estrada. Nada de música hoje.

Chegando ao escritório, o presidente da firma liga pra sua sala por engano, é um interurbano e ele quer que você transfira a ligação pra sala do seu chefe – depressa! Como você não domina bem a função de transferência de chamadas, você lhe diz que espere um momento – e logo a seguir desliga em sua cara, acidentalmente.

Esse panorama parece fictício, mas não está muito longe da realidade. As pessoas costumam comprar aparelhos sofisticados cheios de botões porque parecem mais caros que os outros, mas esquecem-se de que não usarão a maioria de suas funções.

Os manuais também não ajudam, parecem feitos apenas para complicar em vez de explicar. As pessoas não os entendem mas têm vergonha de reclamar porque acham que a culpa é delas mesmas, sentem medo de serem consideradas ignorantes.

As fábricas se aproveitam do fato de que a maioria de nós compra os aparelhos sem pensar em sua funcionalidade, e sim em sua aparência. A profusão de botões, luzes e menus num aparelho faz com que ele pareça mais moderno e seja mais caro, nos levando a comprá-lo em lugar de outro com um visual mais “pobre e careta”.

A maioria de nós se sente imerso em alta tecnologia e quando compramos essas máquinas o fazemos de boa-fé, acreditando piamente que um dia finalmente as dominaremos e conseguiremos usá-las em seu completo potencial. Ledo engano.

A culpa por não sabermos usar os nossos aparelhos em todas as suas funções é dos fabricantes, que criam aparelhos e manuais impossíveis de entender e também nossa, pois marchamos para as lojas e compramos cada novo modelo criado, mesmo sabendo no fundo de nossos corações que a máquina infernal irá desafiar qualquer tentativa de domínio ou entendimento, nos fazendo sentir frustrados e derrotados.

Se você se sente estúpido fazendo isso, não se preocupe, você não está sozinho.



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Um comentário:

  1. Zailda, um prato cheio nesse link http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL994357-5605,00-CALOURO+VITIMA+DE+TROTE+E+SOCORRIDO+EM+COMA+ALCOOLICO+NO+INTERIOR+DE+SP.html

    Esses universitários... Cada vez
    piores. Pior que tem pessoas assim
    que estudam em universidade federais, consumindo dinheiro do governo.

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