27/01/2012

Pernilongo transgênico

pernilongo

Não posso deixar de registrar aqui a minha opinião!

Zailda Coirano

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28/12/2011

Terceira pessoa

velho_3Quando a gente é criança, as pessoas falam da gente na terceira pessoa na nossa frente.

- Ele não comeu nada hoje – explica a mãe ao marido, referindo-se ao filho de 10 anos que espera pelo sermão do pai de cabeça baixa.

A gente é criança e não pode fazer nada, aí fica adulto e as pessoas param de “falar de você na sua frente” e passam a falar de você pelas costas.

Aí ficamos velhos e começam de novo a falar da gente na terceira pessoa, sejam coisas agradáveis ou não, sem se importar se concordamos ou não.

Se não concordamos e protestamos, lá vem uma boa justificativa para nos desdizer:

- Ah, você diz isso porque não se lembra. Deixa pra lá.

“Deixa pra lá” significa: “não vou nem discutir o assunto com você porque você não está preparado para isso, melhor te ignorar”.

Não dá um ódio dessa gente?

Zailda Coirano

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17/12/2011

Natal é bom, mas…

rostopapaidefaultfinalAdoro final de ano, vêm as festas, encontramos membros da família que não víamos há anos, confraternizamos com colegas de trabalho, mas…

Você já tentou andar no centro da cidade? Tentou fazer qualquer coisa que não fosse diretamente ligada às compras de final de ano?

Parece que todo mundo enlouquece, não há mais nada a fazer. E andam todos em bandos, cheios de embrulhos, entulhando os ônibus de sacolas e pacotes. Não dá pra passar.

E já reparou que estão sempre morrendo de pressa? Não têm nem tempo de esperar a gente passar, já vão logo empurrando. Não têm tempo sequer de pedir licença.

Eu – que já não entendo o povo de cidade grande que está sempre correndo como se aquele fosse o último trem de metrô do dia, da Terra, do Universo – percebo que a neura piora nos tempos de festas. Correm o tempo todo, sacolejando seus pacotes e arrastando suas crianças.

Aliás não sei porque levam tanta criança: para gastar mais do que o que pretendiam? Para parar a cada 5 minutos pra comer salgadinho, ir ao banheiro, etc…? Ou para deixá-las livres, correndo como bodes na pradaria, fuçando em tudo e pisando no pé da gente?

Se os adultos – que seriam as pessoas responsáveis por educar as crianças – já não mostram lá tanta educação, que dirá então as crianças.

Mas não é culpa delas, é tempo de Natal, mesmo que nunca tenham ouvido falar em Cristo, com certeza estão todas excitadas com a chegada de Papai Noel.

Zailda Coirano

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28/07/2011

Propaganda nas novelas

novela mershanEu nem sou fã de novelas, assisto uma ou outra porque o tema sugere algo interessante (que via de regra descamba para o lugar-comum) mas tem coisa mais chata do que propaganda em novela?

Eles até têm um nome bacana pra isso: merchandizing. Mas o que se pratica nas novelas brasileiras está longe de ser aquela propaganda velada, também usada nos filmes de Hollywood, onde aparece o rótulo da garrafa de cerveja, dão um close na marca do carro, etc. O que acontece nas novelas é algo que vai além, desde a inserção de um comercial deslavadamente explícito de máquina para cartão de crédito até o patrulhamento ideológico aberto e sem cerimônia.

O que se pratica hoje nas novelas brasileiras, longe de ser o discreto merchandising adotado pelos filmes americanos, é um intervalo comercial inserido sem o menor cuidado para que pelo menos pareça ser parte da trama. Surge do nada e fica mais que evidente que alguém está faturando os tubos pra nos vender uma ideia, aproveitando-se da audiência desavisada do horário nobre.

Já pensou o James Bond pular do alto de um edificio para o outro atrás do bandido, os dois juntarem as cabeças e com um pote de gel na mão, recitarem:

JAMES BOND: Só o gel Fixabem mantém o meu penteado assim, mesmo depois de saltar do 45º andar.

BANDIDO PERSEGUIDO: Use o gel Fixabem. Você pode perder a vida, mas nunca a elegância e o penteado impecável.

OS DOIS JUNTOS, EM CORO: Gel Fixabem, você encontra em todas as drogarias.

E aí os dois continuam correndo de novo, até que o James Bond pegue o bandido, que é o que a gente sabe que vai acontecer.

Nas novelas brasileiras as coisas acontecem assim, entra um comercial cortando a cena assim sem mais nem menos, sem  a menor preocupação de pelo menos “fazer de conta” que é uma continuação do que estávamos assistindo.

Exagero

Parece exagero, mas não é. Já estou cheia de ver, no meio de cenas que poderiam ser importantes, um dos personagens no computador, dizendo:

- Agora que recebemos todos os cartões posso ficar sossegado, só a “maquininha que não sei o nome” faz isso, e ainda por cima posso acessar todo o movimento do mês num clicar do mouse.

Fala sério! Botar a maquininha lá e os personagens a usarem enquanto vemos o nome da geringonça vá lá, mas ficar toda hora inserindo esse tipo de reclame ridículo que não tem nada a ver com a trama no meio da novela é simplesmente “disturbing”!

E as campanhas do governo?

- Você já levou o Fulaninho pra vacinar?

- Claro, todas as crianças de 0 a 5 anos precisam receber a vacina contra a … até o dia… no Posto de Saúde mais próximo de casa.

E depois, não adianta tentar enxertar comercial no meio da novela porque não vai melhorar! Os comerciais são a melhor parte da TV brasileira há décadas e até pra fazer comercial as novelas são – pra dizer o mínimo – sofríveis.

As novelas, que já são repetitivas e previsíveis, usam os mesmos clichês e chavões há décadas, agora inventaram um outro ingrediente para faturar mais (ainda!!!) e afugentar os que teimam em seguir suas tramas mirabolantes e inverossímeis. Estariam assinando sua sentença de morte?

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