19/06/2012

Quem posta sem ler

Ódio dessas pessoas que postam comentários nos blogs sem nem ler nada. Encontram um local e vão enviando o que bem entendem. Tenho um blog onde falo de música brasileira, falo no Chico Buarque, no Zeca Baleiro, na Simone. E já estou cansada de receber letras de músicas que as pessoas enviam, e lascam lá:

Chico, essa música que eu fiz se parece com você, estou enviando porque tenho certeza que você vai querer gravar. Qualquer coisa entre em contato comigo pelo email …

Eu não sei se dou risada ou se choro, será que brasileiro não lê nada? Não digo todos, há muitos que leem e postam coisas muito interessantes, mas será que a pessoa não vê que o blog não é do Chico Buarque? Vê lá se o Chico ia ter saco pra escrever blog, me poupe!

Zailda Coirano – SOS Idiomas & Digital Goods 

03/02/2012

Satisfação garantida

prova científica

Identidade

dia nacional da fotografiaCoisa chata é tirar foto pra carteira de identidade. De acordo com o Stanislaw, quando a gente tira foto fica puto quando não sai parecida com a gente e mais puto ainda quando sai. Por mim eu nem ficava puta se saísse a cara – digamos – da Bruna Lombardi, mas a cara da Bruna como eu me lembro dela, vai saber como está a cara dela agora. Se for pra ficar a cara dela como é agora prefiro então que se pareça com a minha, que pelo menos eu sei como está.

Mas puta da vida eu já estava, verdade seja dita. Com uma tia que já tinha lá pela oitava via da carteira de identidade porque desde que tirou a primeira mais as perdeu que as usou, eu me orgulhava de ainda ter a original – primeira e única – e até que bem conservada. Mas vai que alguém – com tempo sobrando porque faltavam leis de reforma da Educação, da Previdência ou do raio que o parta pra assinar – decidiu sabe-se lá por que cargas dágua que a carteira que a Secretaria da Segurança Pública fez por bem me conceder há décadas  e que foi cuidada e conservada por sua feliz possuidora - que ora vos fala - não valia mais, e lá fui eu tirar as malditas fotos.

Com aquele bom humor que Deus-me-livre entro na primeira porta onde se lê “foto 3X4 na hora”. O lugar mais parece um ninho de rato, que eu nunca vi mas imagino como deve ser, porque era como minha santa e querida tia – que Deus a tenha em Sua infinita glória – chamava meu quarto de adolescente, lá nos idos de mil novecentos e antigamente.

Com olhar de poucos amigos e sorriso amarelo de tabaco e dentes faltando, me atende o fotógrafo ajeitando o óculos de pernas bambas e lentes míopes. Me manda sentar num banquinho pra elefante de circo subir e fazer malabarismo, acende mil watts na minha cara, vai pra detrás da câmera e lá fica alguns minutos até eu começar a achar que caiu no sono e cogitar a hipótese de dar um chute numa daquelas luminárias pra ver se acordava o belo, quando ele levanta a cabeça e pergunta:

- Vai com o cabelo assim mesmo?

A frase antiga e batida que tem o cheiro de todos os finais de semana desde a infância, repetida incontáveis vezes por amigas, colegas, parentes, candidatos a ex-namorados e empregadas enxeridas é a tal gota que faz transbordar o cálice de cicuta.

- Por que? Por acaso você teria aí uma peruca pra me emprestar?

Ele não percebe o sorriso de desforra e nem parece sentir a alfinetada.

- Não – responde simplesmente, como se a pergunta fosse pra ser respondida, tão óbvia a resposta.

- Então vai com esse cabelo mesmo, que é o único que eu tenho – replico, malcriada desde a mais tenra infância.

- Não é por nada não, mas é que seu cabelo está meio arrepiado.

Já usaram muitas palavras para descrever meu cabelo, mas até onde a minha memória alcança, “arrepiado” foi a primeira vez.

- Então vai “arrepiado” mesmo.

Ele faz uma cara de “não diga que eu não avisei” e depois de rodar feito um peru em volta da câmera bate a foto.

Como de costume e já esperado as fotos saem piores que o modelo (sem falsa modéstia), e essa é uma injustiça que nos fazem aos reles mortais: se pagam uma fortuna pra uma gazela loura, magra e linda que passou 6 horas no salão de beleza fazendo tudo quanto é experiência química no cabelo para tirar sua foto, por que nos tiram 3 fotos mixas, que saem a cara da nossa avó defunta dentro do caixão – sem as flores – e ainda temos que pagar?

Hipocrisia não é o meu forte, mas também não é prerrogativa de político, então digo que ficaram ótimas, e assim que meu dinheiro muda de dono ele o põe numa gaveta e resmunga um pouco convincente “ficaram mesmo”, deixando claro pra mim pelo menos que nem todos nascem para a vida pública.

Boto a cara da vó de cabelo arrepiado num canto escondido da bolsa e vou cuidar da vida, muita fila ainda pra encarar, já que esse documento aqui que a Secretaria me deu quase meio século atrás e que conservei com carinho e devoção o ministro não quer mais.

Zailda Coirano

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27/01/2012

Pernilongo transgênico

pernilongo

Não posso deixar de registrar aqui a minha opinião!

Zailda Coirano

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28/12/2011

Terceira pessoa

velho_3Quando a gente é criança, as pessoas falam da gente na terceira pessoa na nossa frente.

- Ele não comeu nada hoje – explica a mãe ao marido, referindo-se ao filho de 10 anos que espera pelo sermão do pai de cabeça baixa.

A gente é criança e não pode fazer nada, aí fica adulto e as pessoas param de “falar de você na sua frente” e passam a falar de você pelas costas.

Aí ficamos velhos e começam de novo a falar da gente na terceira pessoa, sejam coisas agradáveis ou não, sem se importar se concordamos ou não.

Se não concordamos e protestamos, lá vem uma boa justificativa para nos desdizer:

- Ah, você diz isso porque não se lembra. Deixa pra lá.

“Deixa pra lá” significa: “não vou nem discutir o assunto com você porque você não está preparado para isso, melhor te ignorar”.

Não dá um ódio dessa gente?

Zailda Coirano

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17/12/2011

Natal é bom, mas…

rostopapaidefaultfinalAdoro final de ano, vêm as festas, encontramos membros da família que não víamos há anos, confraternizamos com colegas de trabalho, mas…

Você já tentou andar no centro da cidade? Tentou fazer qualquer coisa que não fosse diretamente ligada às compras de final de ano?

Parece que todo mundo enlouquece, não há mais nada a fazer. E andam todos em bandos, cheios de embrulhos, entulhando os ônibus de sacolas e pacotes. Não dá pra passar.

E já reparou que estão sempre morrendo de pressa? Não têm nem tempo de esperar a gente passar, já vão logo empurrando. Não têm tempo sequer de pedir licença.

Eu – que já não entendo o povo de cidade grande que está sempre correndo como se aquele fosse o último trem de metrô do dia, da Terra, do Universo – percebo que a neura piora nos tempos de festas. Correm o tempo todo, sacolejando seus pacotes e arrastando suas crianças.

Aliás não sei porque levam tanta criança: para gastar mais do que o que pretendiam? Para parar a cada 5 minutos pra comer salgadinho, ir ao banheiro, etc…? Ou para deixá-las livres, correndo como bodes na pradaria, fuçando em tudo e pisando no pé da gente?

Se os adultos – que seriam as pessoas responsáveis por educar as crianças – já não mostram lá tanta educação, que dirá então as crianças.

Mas não é culpa delas, é tempo de Natal, mesmo que nunca tenham ouvido falar em Cristo, com certeza estão todas excitadas com a chegada de Papai Noel.

Zailda Coirano

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