20 de jun de 2011

Um professor não deveria fumar

Cigarro_proibidoLá estava eu no meu intervalo de 15 minutos, fumando meu cigarrinho do lado de fora da escola (como um pária, após a lei que proíbe fumar em edifícios públicos) quando a mãe de uma aluna (que não é minha aluna e só conheço de vista) me sai com essa:

- Uma professora não deveria fumar.

Contei até dez, cem, mil… Falar palavrão também achei que não ficaria bem, então respondo bem séria:

- Quando estou dando aula não fumo.

Isso pra ver se ela se tocava de que – mesmo sendo professora – também tenho direito a uma vida pessoal como “os outros” seres humanos, e se fumo ou não fumo é problema meu.

Não se deu por achada e aí veio o pior:

- Mas é um péssimo exemplo para os alunos.

Aí eu perdi a paciência de vez, mas mesmo assim não desci do salto (que por sinal é baixinho, baixinho, pra nivelar bem por baixo mesmo não custa nadinha):

- Minha senhora (suspiro profundo – paciência, minha filha, não te disseram como é a vida de professor?) se o seu filho, que passa a semana toda com a senhora resolve imitar um professor que passa apenas 2 horas semanais com ele há algo errado, mas não é na escola.

Com a indignação dos que se julgam ofendidos porque não encontram argumentos lógicos para dar suporte à discussão que eles mesmos iniciaram, ela virou-se e foi embora.

O Eminem é quem tem razão. Quando foi criticado porque falava palavrão em suas músicas porque era um mau exemplo para os jovens, foi bem taxativo:

- Quem tem que educar seu filho é você, e não eu. Não tenho essa missão. Na minha casa palavrão é proibido, nem eu nem meus filhos os falamos.

Pois olha, “tirou daqui, ó”! É engraçado que certas pessoas que se julgam “pais” só porque botaram filho no mundo e só não são mais omissos por falta de grana pra matricular os filhos em mais um curso ou atividade que os mantenha o máximo tempo possível fora de casa – já que eles também não ficam por lá – acham que é papel do professor dar formação moral, religiosa, etc. aos filhos deles.

Eu já tive, criei e eduquei 5 filhos meus, que agora estão adultos, e bem ou mal eu os eduquei. Não me omiti com a desculpa de que “não tinha tempo” para ser mãe deles. Não assumi e nem quero a responsabilidade de criar filhos alheios. Quem pariu Mateus que o balance. E de quebra que o eduque também. Se os pais não forem omissos e se derem ao trabalho de conversar e orientar seus filhos, garanto que eles não irão seguir a primeira pessoa que dê a eles um mínimo de atenção ou afeto.

O dia em que eu fizer apologia do cigarro dentro da sala de aula podem me crucificar, que será justo. Mas enquanto eu me reservar o direito de viver minha vida pessoal fora do meu horário de trabalho, que não me venham transferir os compromissos que eles mesmos assumiram quando se dispuseram a ter uma família.

Fundo marron

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Pois é Zailda, é bem assim que a coisa funciona...outro exemplo é quando estamos de atestado médico, doentes, e os pais vão na direção reclamar pq faltamos? Numa autoridade que lhes foi dada pela sociedade e pelas próprias escolas.Professores são os únicos profissionais que NÃO PODEM FICAR DOENTES...isto me irrita muito,e mais ainda pq a direção dá explicações da doença,etc e tal. Aí eu digo: Basta que estejamos doentes, o motivo, a doença? NÃO INTERESSA. Isto cabe à secretarias, dos Estados ou Municípios, não aos pais...que vão reclamar para o Papa. Constestem um laudo médico. Pior mesmo é quando a direção ainda dá assunto e reclama pra gente...affff. Professor tem que ir trabalhar nem que seja se arrastando...pq hoje em dia, os pais não toleram seus próprios filhos em casa qdo não há quem nos substitua na escola, pq a classe está em fase terminal...não aguento mais esta profissão por tantos outros motivos...bjs

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  3. Pois é, se o professor for atropelado na frente da escola tem que ir se arrastando pra classe. Não podemos ter vida pessoal, nem ficar doentes, nem ter nossas ideias. Aliás ter a gente até pode, só não pode é contar pra ninguém...

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