26 de jan de 2008

Como passar um dia agradável em frente à TV, se você é mulher

Um feriado prolongado me pegou de surpresa outro dia com uma tarde inteirinha sem nada pra fazer. Fato raro, imaginei logo algo de interessante pra passar o tempo e liguei a "máquina de fazer doido", como bem já definia a tia Zulmira, do Stanislaw Ponte Preta.

Dei de cara com um programa dirigido provavelmente a mulheres masoquistas. Horrorizada assisti durante quase meia hora às mais bárbaras e desumanas torturas a que uma mulher pode se submeter pra ficar em forma. Gente, se Hitler tivesse televisão com certeza os judeus teriam sofrido muito mais em suas mãos. Corri pra mudar logo de canal tão logo a visão aterrorizante de mulheres gordas e cheias de celulite se acabando de tomar choques em tudo quanto era lugar tornou-se insuportável.


O programa seguinte falava sobre culinária e isso aliado a todas as dietas e exercícios torturantes que eu assistira boquiaberta me fez abrir ainda mais a boca e buscar algo pra comer na minha cozinha. Com sentimento de culpa que só as mulheres poderão entender, o mesmo que nos aflige cada vez que comemos um bombom escondido (como se comer escondido não engordasse...) acompanhei atenta às mais loucas misturas de ingredientes tão estranhos quanto os que faziam parte das receitas mirabolantes dos alquimistas de outrora. Desanimada com minha santa ignorância troquei novamente de canal.


Uma mulher calma e bonita dirigia o próximo programa, mas o que é bom dura pouco, logo descobri que o tal programa era a mais deslavada baixaria. Faziam aquilo que antigamente chamávamos de "lavar roupa suja" ali, bem debaixo do meu nariz. Mães espinafravam os filhos, maridos diziam com todas as letras porque a amante era bem melhor que a mulher, um verdadeiro circo de horrores. E eu fiquei me perguntando o que leva um ser humano a se expor assim na TV.


Já deprimida, continuei passando os canais até que encontrei um repórter que contava os capítulos de novelas que nunca vi. Não entendi nada. Não sei se meu QI emperrou, mas aquilo tudo que ele contava me parecia uma barafunda confusa de nomes e situações mirabolantes que jamais em tempo algum poderiam acontecer. Se Shakespeare tivesse TV teria imaginado algo bem menos prosaico que veneno pra Romeu e Julieta... Quem sabe? Talvez ele sofresse de falta de imaginação...


Dei à TV todas as chances que minha paciência permitiu mas no final das contas descobri uma maneira ótima de passar uma agradável tarde em frente a ela: botei os pés na poltrona, coloquei um CD pra tocar e simplesmente deixei-a desligada. Tive uma tarde agradabilíssima. Tente você também, qualquer dia destes.


(escrito por Zailda Mendes)

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