11 de mar de 2008

O que se esconde pro trás dos contos infantis

Vejo muitos pais reclamando da televisão, dizem que há muita violência nos programas infantis de modo geral e que isso influencia negativamente seus filhos. Não entro no mérito da questão, deixo a discussão pros especialistas da área, mas pertenço a uma geração que também sofreu com a violência (implícita) nas famosas histórias infantis. Senão, vejamos:

Chapéuzinho Vermelho - não é só o caso da violência, mas também um caso clássico de sexo implícito. Eu disse implícito? Porca miséria, a menina é seguida pelo Lobo, que tem todas as mumunhas e o papo de um autêntico tarado (pra ser moderninha, um pedófilo), olha que chique, a gente ouvia apavorada a história de um lobo pedófilo que depois comia a vovózinha. Que coisa! E depois ainda chegava um lenhador não se sabe de onde e ABRIA A BARRIGA DO LOBO e a diaba da avó (uma bruxa, por certo) saía de lá vivinha da silva! E a gente era obrigada a ouvir esse terror todo ANTES DE DORMIR. E quem vai lá conseguir pegar no sono depois de uma carnificina destas?

Rapunzel - beleza de exemplo, dava umas idéias pra lá de tortas, e isso logo antes de dormir! Se a Rapuzel que estava numa torre danada de alta deu seus pulos (deixou crescer um cabelão danado) pra que o namorado pulasse a janela e passasse a noite ali com ela, a gente nem precisava ser tão criativa, já que nossa janela possivelmente era bem mais baixinha!

Joãozinho e Maria - arre, que coisa mais descabida, largar duas pobres crianças num bosque, ainda por cima o irmãozinho era retardado, jogando migalhas de pão pra marcar o caminho! E depois a bruxa os prende pra engordá-los, a Maria, menina boazinha que só ela, me empurra a pobre da velha em um caldeirão de água fervente! Uma cena destas antes de dormir deve causar cada trauma que nem o Freud explica!

Sereiazinha - já começa mal, a coitada tem que cortar a língua (deus me livre!) em troca de um belo par de pernas pra encantar um príncipe (e tome fetichismo!) mas como a jogada dá errado, ela se atira no mar! Suicídio por amor tá liberado pra criança de (digamos) seis anos? E depois iam dormir, achando que a gente estava mais calminho agora, que ia pegar no sono logo. Não admirava se a cama amanhecesse toda molhada! Vai botar medo assim em outro!

Branca de Neve - essa era uma pervertida, dormia com sete anões. E tinham que ser anões, que que era isso, algum tipo de tara? E logo sete? Devia ser uma suruba daquelas, à noite voava pena pra tudo que era lado, pois não era? Olha só que pouca-vergonha ensinavam, e a gente ainda ia dormir com isso na cabeça, imagens de um bacanal na floresta em que uma princesa tarada dormia com 7 anões. Claro, depois dava uma de sonsa com o coitado do (corno) do príncipe, pra ele era só um beijinho casto de nada... garanto que ia fingir que era virgem...

E apareceram uns desenhos pra lá de entortantes também pra nossa nem suspeitada sexualidade. O Batman e o Robin eram um casal? O Superboy era bicha? Perguntas que rodavam em nossa cabeça e nos torturavam numa incerteza capaz de levar uma pessoa à loucura...

E os Smurfs? Imagina: o Gargamel toma um "chá de cogumelo" e depois começa a ver uns homenzinhos azuis que ninguém mais vê. Claro, se fosse LSD ninguém mais ia ver também...

Agora pensa comigo: você acha realmente que a influência da TV hoje pode ser pior que esse massacre que as gerações anteriores sofreram? Será que esses inocentes desenhos têm mesmo o poder de entortar algo que tenha sido direito até agora?

Quanto a esse emburrecimento paulatino que vemos em programas que têm uma mulher bonita e muito burra falando asneiras e jogando o cabelo de um lado pra outro nem falo nada. Que são bonitas todos concordamos, mas quem foi a anta que permitiu que elas falassem? E ainda por cima DURANTE O PROGRAMA? Erro imperdoável, tinham que tirar o microfone, nossos ouvidos agradeceriam e nossas crianças não sofreriam essa "violência".

Agora já imaginou, minha amiga, se tua filha um dia chega pra você e diz: "mãe, quando eu crescer quero ser igualzinha à Carla Perez" que é que você vai fazer? Já pensou que desgosto? A gente faz tudo por uma filha e depois dá nisso, ter que ouvir uma coisa dessas... Quando a coisa chega nesse ponto, sinto muito mas nem psiquiatra dá mais jeito! Caso grave, de internação, aí quem sabe?

(escrito por Zailda Mendes)

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