19 de mai de 2008

Governo quer recriar CPMF

A CPMF é a irmã gêmea torta da proposta inicial do PT, que era o IMPOSTO ÚNICO, que seria de 1% sobre qualquer movimentação financeira. O Imposto Único viria simplificar a parafernália tributária brasileira, onde um único produto pode gerar dezenas de impostos até chegar ao consumidor final - que é quem paga a conta.

A idéia a princípio era boa, e esse imposto viria substituir todos os outros, cabendo ao governo canalizar depois a verba gerada para os seus diversos setores. Ninguém ficaria isento, todos pagariam de acordo com o que recebessem. Era, portanto, um imposto democrático e do qual ninguém escaparia.

Utopia? Parece que sim, porque o governo gostou da idéia de um imposto que fosse cobrado automaticamente a cada movimentação financeira e criou o IPMF, depois rebatizado de CPMF, que seria um imposto com data para terminar e cuja verba seria destinada à Saúde, que devido à má administração do próprio governo e de sucessivos desfalques estava à beira da falência. Como sempre, eles são incompetentes em gerir nosso dinheiro e detectar quem dele está se beneficiando indevidamente e nós é que pagamos a conta.

Extinta a CPMF, mesmo depois de muito chororô do governo, hoje eles estão novamente tentando fazê-la descer por nossa goela abaixo, não se sabe por quanto tempo.

Até quando no Brasil se tomarão medidas paliativas em vez de moralizar e reformar o que não está funcionando? O governo com sua máquina tributária pra lá de arcaica já deveria ter procedido à tal reforma da qual tanto se ouve falar. Mas só se ouve falar, pelo jeito.

Para mim parece óbvio que a macro-economia do país funciona como a micro-economia doméstica: gasta-se de acordo com o que se ganha. E principalmente quando se usa dinheiro alheio (no caso, do povo), e do qual possivelmente terão que prestar contas no futuro.

O governo continua tentando aumentar sua receita à nossa custa para cobrir suas despesas (que são muito mal programadas, diga-se de passagem) em vez de adequar seu orçamento à verba que tem, ou investir parte dessa renda em setores que gerarão mais receita a longo prazo.

Mas "a longo prazo" é uma expressão que não faz sentido na cabeça de nossos governantes. São imediatistas, do já e do agora, e tudo o que necessite de tempo para reverter em benefícios fatalmente será relegado a segundo plano, como acontece com a tal "reforma tributária", que se faz necessária antes que o governo mais uma vez nos "enfie a faca" para fazer mais uma sangria em nossa já mingüada renda.

(zailda coirano)

Folha Online - Brasil - Governo prepara nova CPMF para financiar gasto da Saúde - 17/05/2008

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