4 de mai de 2008

Os puxa-papo

Você está lá há horas amargando numa fila horrorosa, pode ser de banco ou supermercado, já está p da vida porque o fato de ficar na fila já atrasou seu dia todo e está pensando que nada de pior pode te acontecer nesse dia...

Ledo engano, de repente, surgida do nada uma vozinha irritante começa a te martelar os ouvidos:

- Mas que fila, hein?

Não, você não está ouvindo vozes do além e nem está ficando esquizofrênico. Trata-se apenas de uma categoria de chatos bem cotada em cidades grandes: os puxa-papo.

Você está lá, cuidando de sua vida e pensando em seus problemas quando essa antipática figura começa a fazer perguntas. E tem algo mais chato do que responder a perguntas de completos estranhos? E olha que se você não toma logo uma providência do tipo fechar a cara, por exemplo, as perguntas vão ficando mais e mais pessoais e logo você estará confessando todos os seus pecados para o tipo indiscreto.

Isto é, se ele for do "tipo A", porque se ele for do "tipo B", prepare os tímpanos, porque essa pessoa chata vai contar sua vida e seus problemas desinteressantes todinhos pra você. E vai contar coisas escabrosas bem alto, como se tivesse orgulho delas, e todos os olhares (claro) se voltarão pra vocês e você vai ficar meio que assim - com cara de tacho.

Eu já ando com um galho de arruda e um dente de alho na bolsa pra afastar vampiro, mau-olhado e chatos. Sei lá se funciona, mas quando começam com aquele converseiro que não leva a nada e que não me interessa em absoluto eu me apego a um deles, fecho os olhos e começo a rezar em voz baixa.

Você pode também tentar a tática de fingir que é doida de pedra, abrace a pessoa, chame-a por um nome qualquer (torça pra não acertar, chato tem cada nome que Deus me livre), finja que conversa com um amigo imaginário, sei lá. Seja criativo, qualquer coisa serve pra nos livrar do chato nosso das filas de cada dia.

(zailda mendes)

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